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Pulsar

PSR B1919+21 · pisca a cada 1,337 s

Pulsar

Curiosidades de tecnologia em pulsos curtos. A história por trás do que você usa todo dia, sempre com fonte.

Desde que você chegou, o primeiro pulsar já piscou 0 vezes. Que pulsar?

01 · Pulsos

Curiosidades que piscam

Uma por card. Toque pra abrir; a fonte fica no fim de cada uma.

  1. Pulso #001

    Vermelho e verde já existiam. Faltava o azul, e sem ele não tinha luz branca de LED.

    Os LEDs vermelhos existem desde os anos 1960, e os verdes vieram depois. O azul resistiu por uns 30 anos: o material certo, o nitreto de gálio, era dificílimo de cristalizar com qualidade.

    Entre o fim dos anos 1980 e o começo dos 1990, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, em Nagoya, e Shuji Nakamura, na Nichia, uma empresa química pequena do Japão, conseguiram. Com o azul, dá pra fazer luz branca: é só cobrir o LED com um fósforo amarelo. Daí vieram as lâmpadas de LED e a luz por trás de muita tela que você usa.

    Os três levaram o Nobel de Física de 2014, pela invenção do LED azul eficiente.

    Fonte: comunicado do Prêmio Nobel de Física de 2014

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  2. Pulso #002

    Muito provavelmente. O nome dele é COBOL.

    O COBOL nasceu em 1959, num comitê de empresas e do governo dos Estados Unidos, com base no trabalho de Grace Hopper. A ideia era escrever programa quase como se escreve em inglês, pensando em negócios: folha de pagamento, contas, banco.

    Em 2017, um levantamento da Reuters estimou que 43% dos sistemas bancários ainda usavam COBOL e que 95% das operações em caixa eletrônico passavam por ele. Trocar é caro e arriscado: são bilhões de linhas que funcionam há décadas. Em 2020, na pandemia, estados americanos chegaram a pedir voluntários que soubessem programar em COBOL.

    Fontes: IBM · BMC, com os dados da Reuters · Wikipedia

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  3. Pulso #003

    É a falha que já está sendo usada antes de o fabricante saber que ela existe.

    O nome vem de quantos dias o fabricante teve para corrigir o problema: zero. Alguém descobre o erro primeiro e usa antes que exista correção. Por isso uma falha dessas vale muito dinheiro.

    O caso mais famoso é o Stuxnet, descoberto em 2010: o vírus usou quatro falhas dia zero do Windows de uma vez para atacar centrífugas nucleares no Irã. A defesa mais simples continua sendo atualizar o sistema. A Microsoft solta o pacote de correções toda segunda terça-feira do mês, a Patch Tuesday.

    Fontes: Wikipedia (Stuxnet) · Wikipedia (Patch Tuesday)

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  4. Pulso #004

    Acertando um laser em 50 mil gotas de estanho por segundo.

    Os chips modernos têm detalhes tão pequenos que a luz comum é “grossa” demais para desenhá-los. A saída é a luz ultravioleta extrema (EUV), e só uma empresa no mundo faz essas máquinas: a ASML, da Holanda.

    A luz não vem pronta. Um gerador solta 50 mil gotinhas de estanho por segundo; um laser acerta cada uma, e o segundo pulso a transforma em plasma, a cerca de 500 mil graus, bem mais quente que a superfície do Sol. Como o ar engole essa luz, tudo acontece no vácuo, guiado por espelhos.

    Fontes: ASML, “The hottest thing about ASML machines” · ASML San Diego

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  5. Pulso #005

    Funcionando como uma torre de celular, só que a centenas de quilômetros de altura.

    A torre comum fica a poucos quilômetros; o satélite, a centenas, passando a quase 28 mil km/h. E o celular transmite com menos de um watt. Para ouvir um sinal tão fraco, esses satélites abrem antenas enormes: o protótipo BlueWalker 3, da AST SpaceMobile, tem 64 m², o tamanho de um apartamento pequeno.

    A conversa vai pulando de um satélite para outro, e a rede ainda corrige o efeito Doppler, o mesmo que muda o som da ambulância passando. Por isso o serviço começou com mensagens de texto, que precisam de pouquíssimo sinal.

    Fontes: Space.com · Starlink (Direct to Cell)

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  6. Pulso #006

    Em 1967, uma estudante achou um sinal tão certinho que o apelidaram de “homenzinhos verdes”.

    Jocelyn Bell, doutoranda em Cambridge orientada por Antony Hewish, notou no papel do radiotelescópio um sinal que piscava a cada 1,337 segundo, sem falhar. Era tão regular que a fonte ganhou o apelido LGM-1, de Little Green Men.

    Não eram alienígenas: era uma estrela de nêutrons girando e varrendo o espaço com feixes de rádio, como um farol. Nascia a palavra pulsar. Hewish dividiu o Nobel de Física de 1974; ela ficou de fora. Em 2018, ela ganhou o Breakthrough Prize, de US$ 3 milhões, e doou tudo para bolsas de doutorado em física para grupos sub-representados.

    O feixe que gira no topo desta página pisca no ritmo desse pulsar.

    Fontes: NRAO · Royal Astronomical Society

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  7. Pulso #007

    Aquelas linhas brancas empilhadas? São pulsos de rádio.

    A capa de Unknown Pleasures, do Joy Division (1979), mostra 80 pulsos seguidos do CP 1919: o mesmo pulsar da Jocelyn Bell. O gráfico saiu da tese de doutorado de Harold Craft, de 1970, e o designer Peter Saville achou a imagem numa enciclopédia de astronomia.

    Virou estampa de camiseta no mundo inteiro. As linhas no topo deste site são uma homenagem: desenhadas por código, ao vivo, no ritmo do pulsar.

    Fontes: Scientific American · Big Think

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  8. Pulso #008

    Em 1957, uma bola de metal começou a apitar em órbita.

    O Sputnik 1, lançado pela União Soviética em 4 de outubro de 1957, foi o primeiro satélite artificial: uma esfera de 58 cm que dava uma volta na Terra a cada 96 minutos e mandava um bip que qualquer radioamador podia ouvir. Ele apitou por 21 dias e queimou ao voltar para a atmosfera, em janeiro de 1958.

    Nos Estados Unidos, o susto virou corrida espacial. Em 1958 nasceram a NASA e uma agência de pesquisa, a ARPA, que anos depois criou a ARPANET, a avó da internet.

    Fontes: NASA · Wikipedia (DARPA)

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  9. Pulso #009

    Uma supernova. O que sobrou dela é a Nebulosa do Caranguejo.

    Em 1054, astrônomos chineses anotaram uma “estrela convidada”, tão brilhante que ficou visível de dia por 23 dias e, à noite, por quase dois anos. Era uma supernova: uma estrela gigante explodindo.

    Os restos formam a Nebulosa do Caranguejo, a uns 6.500 anos-luz daqui: a explosão aconteceu muito antes, e a luz só chegou em 1054. No meio dela gira um pulsar, umas 30 vezes por segundo.

    Fontes: NASA (Hubble, Messier 1) · ESA/Hubble

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  10. Pulso #010

    Mais ou menos: ele pulou. Com sucção e jatos de gás frio.

    Em outubro de 2026, a Tesla mostrou o novo Roadster numa base da SpaceX, no Texas. O carro subiu uma rampa curva de cabeça para baixo, saltou, deu uma cambalhota no ar por cima de outros carros e pousou sobre as rodas.

    São dois truques: ventiladores embaixo do carro sugam o ar e grudam ele no chão, e propulsores de gás frio, a mesma ideia que a SpaceX usa para virar foguetes, empurram o carro para cima. Não tem fogo: é ar comprimido. A produção está prevista para 2028, e ele ainda não está liberado para as ruas.

    Fontes: Deseret News · KPRC Click2Houston

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  11. Pulso #011

    Tentaram. O STJ percebeu e aplicou multa de R$ 20 mil.

    Em outubro de 2026, a 1ª Turma do STJ multou advogados que esconderam comandos para a inteligência artificial do tribunal dentro de um recurso. Um dos trechos estava no rodapé, na mesma cor da faixa decorativa: a olho nu, ninguém lia. A IA, que lê o texto todo, leria.

    O comando pedia para a IA concluir que o recurso devia ser aceito por inteiro. Isso se chama injeção de comando (prompt injection). Para o tribunal, esconder a ordem já é o problema, mesmo sem efeito no julgamento. O caso foi para a OAB do Paraná e para o Ministério Público Federal.

    Fontes: Olhar Digital · Convergência Digital

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  12. Pulso #012

    Duas falhas graves no PHP, a linguagem que monta a maioria dos sites.

    O PHP é a “cozinha” de um site: ele monta a página no servidor antes de ela chegar no seu celular. Segundo a W3Techs, ele roda em 69,2% dos sites cuja linguagem do servidor é conhecida.

    Em outubro de 2026, o CTIR Gov alertou para duas falhas críticas que deixam um estranho dar ordens ao servidor sem senha (execução remota de código). A orientação era atualizar com urgência e, se não desse na hora, fechar o acesso pela internet. Por isso alguns sites de governos e tribunais saíram do ar.

    Fontes: Convergência Digital · O Tempo · W3Techs

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  13. Pulso #013

    Sendo fina o bastante. E o iPhone Duo, o primeiro iPhone dobrável, chegou em outubro.

    Vidro comum é duro, mas não estica: ao dobrar, a parte de fora é puxada e racha. Quanto mais fino, mais ele curva sem quebrar. Nos dobráveis, a tela leva um vidro ultrafino; o da Samsung, por exemplo, tem 30 micrômetros, menos que um fio de cabelo.

    Embaixo fica a tela OLED, em que cada ponto acende sozinho, sem placa de luz atrás; por isso ela pode ser feita sobre plástico flexível. No iPhone Duo, lançado em 23 de outubro de 2026, a tela interna tem 7,6 polegadas e a externa, 5,4. Aberto, ele tem 5,2 mm de espessura; fechado, 11,3.

    Fontes: Apple (newsroom) · Apple (especificações) · Samsung

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  14. Pulso #014

    Em 1947, uma mariposa travou um computador. E foi colada no caderno de bordo.

    Em 9 de setembro de 1947, a equipe do Harvard Mark II achou uma mariposa presa no relé 70 do painel F. Ela foi colada no diário de operação, com a anotação “First actual case of bug being found”: o primeiro caso de um bug de verdade.

    A piada só funciona porque engenheiros já chamavam defeito de “bug” desde o século 19. Dessa vez, era literal. Grace Hopper trabalhava nessa equipe e adorava contar a história, mas o próprio Smithsonian diz que o caderno provavelmente não era dela.

    A página, com a mariposa, está no Museu Nacional de História Americana, em Washington.

    Fontes: Smithsonian · JSTOR Daily

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  15. Pulso #015

    Um pacote de chiclete. Custou 67 centavos de dólar.

    Às 8h01 de 26 de junho de 1974, no mercado Marsh de Troy, em Ohio (EUA), um pacote com 10 chicletes Juicy Fruit passou pelo leitor. Foi a primeira compra registrada com o código UPC, aquele das barras pretas e brancas que até hoje está em quase tudo.

    O pacote custou US$ 0,67 e foi parar no Smithsonian.

    Fontes: Wikipedia (UPC) · placa histórica em Troy (HMdb)

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  16. Pulso #016

    Os relógios dos satélites andam mais rápido que os nossos. E isso tem conta.

    Os satélites do GPS voam a uns 20 mil km de altura, a quase 4 km por segundo. Pela relatividade restrita, a velocidade atrasa os relógios deles em uns 7 microssegundos por dia. Pela relatividade geral, a gravidade mais fraca lá em cima adianta em uns 45. Saldo: 38 microssegundos por dia a mais.

    Parece nada, mas o GPS calcula distância pelo tempo que o sinal leva pra chegar, e a luz anda uns 11 km em 38 microssegundos. Por isso os relógios saem da Terra já ajustados pra compensar.

    Fonte: Richard Pogge, Ohio State University

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  17. Pulso #017

    Está. E dá pra abrir agora mesmo.

    A web nasceu no CERN, o laboratório europeu de física de partículas, com Tim Berners-Lee. Em 2013, o CERN colocou de volta, no endereço original, uma cópia de 1992 da primeira página: a que explicava o próprio projeto World Wide Web. Só texto e link, nenhuma imagem.

    Vale a visita: info.cern.ch.

    Fonte: W3C, “Restoring the first website”

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  18. Pulso #018

    Foi a escolha rápida de um engenheiro, em 1971.

    Em 1971, Ray Tomlinson mandou a primeira mensagem entre dois computadores pela ARPANET, a rede que deu origem à internet. As duas máquinas estavam lado a lado, na mesma sala.

    Ele precisava separar o nome da pessoa do nome do computador e escolheu o @, um símbolo pouco usado que em inglês se lê “at” (em): fulano @ máquina. E o que dizia a mensagem? Nem ele lembrava; contou que devia ser algo como QWERTYUIOP.

    Fonte: Centre for Computing History

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  19. Pulso #019

    O próximo pode ser seu

    Manda uma curiosidade com fonte. Se a conta fechar, vira pulso, com crédito pra você.

02 · Podcast

Podcast Pulsar

Tecnologia e carreira em episódios de 15 a 20 minutos. As vozes são geradas por IA. Ele nasceu dentro da hellys., a marca de tecnologia do grupo, e por isso também toca no site dela.

voz gerada por IA EP 01 / 04

Harvard ou as trincheiras do código

0:00 / 20:16

03 · Vídeos

Um minuto. No talo.

Cada pulso vira um vídeo curto, animado em código e narrado com voz de IA, sempre com a fonte. Eles saem no TikTok, em @opulsar, e no Instagram, em @opulsar.br.

Aqui embaixo, o Pulso #001: por que um LED azul valeu um Nobel? A fonte está no card do pulso.

Seguir @opulsar no TikTok Seguir @opulsar.br no Instagram

Pulso #001 · LED azul53 s · voz gerada por IA

04 · Quem faz

Feita pelo grupo inteiro

A Pulsar é a marca de curiosidades do grupo Plêiade. Não tem dono único: qualquer pessoa do grupo pode puxar um pulso, gravar um episódio ou montar um vídeo. Quem chega, entra na roda.

  1. Toda curiosidade tem fonte.O link fica no fim de cada pulso. Sem fonte boa, não sai.
  2. Lenda é chamada de lenda.Muita “curiosidade” da internet é mito. Quando for, a gente avisa.
  3. Curto, mas certo.Um pulso cabe em 30 segundos. A conta tem que fechar do mesmo jeito.
  4. IA ajuda, gente confere.Vozes e animações usam IA. O texto e a checagem são nossos.

No radar

  • Mais episódios do podcastem produção
  • Cursos curtos de processos e automaçãodepois

Sabe uma curiosidade boa?

Manda pra gente. Se tiver fonte, vira pulso, com crédito pra você.

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